
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Dilma: e o kit escola sem homofobia?

domingo, 15 de maio de 2011
Once

Eu amo filmes. Na verdade, quem acompanha o blog já deve ter percebido que amo filmes quase tanto quanto livros.
Numa busca constante por (bons) filmes para assistir, percebi que os típicos longas hollywoodianos já não me satisfazem mais. Não que não sejam divertidos ou interessantes, são sim, mas hoje me chamam mais a atenção os filmes com menos efeitos especiais, menos explosões, menos clichês e até mesmo, menos “felizes para sempre”.
Hoje vejo que um filme, um bom filme, tem que ter algo a mais do que... Bem, todos os outros. E esse algo a mais, acreditem ou não, costuma ser a simplicidade.
Então é isso, nessa busca por “outros” filmes, fiz ótimas descobertas, como “Eterno Amor”, “O mesmo amor, a mesma chuva”, “O filho da noiva”, e, finalmente Once, ou Apenas uma vez.
Once conta a história de um jovem (Glen Hansard – vocalista da banda The Frames) que, para ganhar uns trocados, tocava e cantava nas ruas de Dublin em suas horas vagas. Em uma noite, uma garota tcheca (Marketá Irglová) pára para ouvir suas músicas e, num diálogo um pouco inusitado, eles combinam um encontro no dia seguinte para que ele conserte o aspirador de pó dela (“principal” ocupação dele).
Com o encontro, descobrem que a paixão pela música existe em ambos e é essa paixão que os aproxima cada vez mais, a ponto de chegarem a fazer parte do cotidiano um do outro.

Se é um musical? Não sei, porque foge completamente ao estilo “faça tudo cantando”. Melhor seria dizer que o foco do filme é a música, que permeia o relacionamento deles de todas as formas e em praticamente todos os momentos.
O romance entre os protagonistas inominados (aliás, muito interessante essa técnica, não dar um nome a um personagem, para que ele possa ser qualquer um) é inserido de forma muito sutil, o que deixa tudo ainda mais real.
Mas esse romance nunca se realiza, ou melhor, se concretiza: ela tem uma filha, é casada e mora com a mãe; ele tinha um relacionamento mal resolvido com uma garota na Inglaterra. É um querer consciente de suas limitações, mas ainda assim tão bonito, tão doce, que chega a deixar uma pontinha de tristeza na gente, mas é uma tristeza que não pesa.
Além do ótimo e simples roteiro, o filme deixa de presente uma trilha sonora maravilhosa, que não consigo parar de ouvir.
Então é isso: se você quer um filme que vale a pena ser visto em qualquer momento, o meu voto com certeza vai para este.
domingo, 8 de maio de 2011
"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas...
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.” [Rubem Alves]
Há alguns anos cheguei à triste conclusão de que, infelizmente, uma parcela significativa dos professores dá aula com o mero objetivo de poder passar horas a fio falando sobre seus feitos grandiosos ou tendo o prazer de se auto-afirmar, maltratando e humilhando os alunos.
Essa conclusão veio depois de quatro anos sendo aluna de alguns desses “professores”.
Durante esse tempo, percebi, ainda, que mesmo a parcela de professores que não se encaixava no perfil acima, tinha algo em comum com eles: nem uns, nem outros queriam realmente ouvir os alunos. Aliás, não só não queriam ouvir o aluno, como também não queriam que pensássemos por nós mesmos. Quantas vezes não vi um professor zerar a questão de um aluno só porque havia exposto uma linha de pensamento diferente, ainda que muito bem fundamentada?
Na verdade, bastava que soubéssemos repetir, ainda que sem entender, o que nos havia sido dito, da maneira exata como nos fora dito. Da maneira deles, não da nossa maneira. Isso mesmo, sem pensar, sem refletir, sem compreender verdadeiramente.
Em todos esses anos, não me lembro de quase nenhum professor que se preocupasse em saber o que pensávamos, seja sobre as aulas, conteúdo, vida acadêmica, profissão, nada.
Não digo que não aprendemos nada com esses professores, justiça seja feita, aprendemos sim. Mas me chateia pensar que poderíamos ter aprendido muito mais, talvez não sobre a matéria, mas sobre a vida, sobre como tratar as pessoas. E eles também poderiam ter aprendido muito conosco também, não por sermos alunos, mas por sermos pessoas. Todos têm algo para oferecer e me parece que todos temos perdido as lições mais valiosas.
Mas então, como sempre acontece na vida, ocorreu o inesperado.
É isso mesmo! Na última quinta-feira aconteceu uma coisa inédita em meus quatro anos de faculdade: durante todo um horário, um professor se colocou à disposição para ouvir o que os alunos tinham a dizer.
Para o espanto (ou talvez não) do professor, a turma ficou praticamente em silêncio. Inclusive eu, que nunca pensei que isso fosse acontecer, que a oportunidade fosse nos ser dada.
Eu, que reclamava tanto, quando tive a oportunidade de falar, fiquei calada. Mas meu silêncio não foi, talvez, como o de meus colegas. Fiquei calada por, de certa forma, ter sido ouvida antes. E era, estranhamente, um silêncio feliz, porque eu sabia que se falasse, seria ouvida.
Então é isso, talvez este post não tenha tido um objetivo claro. Mas talvez seja um desejo traduzido em palavras, de que nossas universidades e escolas, aos poucos, aprendam a abrir a porta das gaiolas e transformem-se em asas.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
A aparência do amor

domingo, 19 de setembro de 2010
Você conhece o Skoob?
Descobri o Skoob (books ao contrário) há alguns meses, com a promessa de ser uma rede social voltada totalmente para amantes da leitura. Fiquei surpresa com o fato de existir uma rede voltada para leitores (como assim eu não conhecia? rs), e mais surpresa ainda (confesso) ao saber que foi desenvolvido por brasileiros, muito legal!
Eu, é claro, corri para fazer meu cadastro no site.
É, realmente, uma rede social: é possível “fazer amigos”, deixar comentários na página de outra pessoa, participar de comunidades, etc.
Mas os criadores do site brilharam mesmo por possibilitar aos usuários terem sua “estante virtual”, ou seja, você pode cadastrar livros que leu/quer ler e muito mais do que isso: é possível classificá-los de inúmeras maneiras. Isso mesmo: lidos, não lidos, abandonados, desejados, estou lendo, meta de leitura, emprestado, tenho ou não, além das formas convencionais (como o gênero, autor, nota).
Além disso, é possível fazer críticas sobre as obras, bem como registrar sua evolução de leitura no seu perfil. Se você quiser trocar algum livro, consegue descobrir quem deseja aquele livro e quem também tem interesse em troca.
Eu, que há séculos buscava um catalogador de livros, achei essa ferramenta fantástica, sobretudo por ser virtual. Digo isso porque comecei a catalogar todos os meus livros no Libra, um programa bem legal (só que com muito menos possibilidades de classificação/detalhamento que o skoob), mas na troca de PC perdi todo o meu longo trabalho.
Para mim o skoob é perfeito enquanto “estante virtual”, mas deixa a desejar quanto ao seu objetivo de ser uma rede social de leitores. Isso porque não é nada fácil (aliás, é bem difícil) localizar conhecidos no site. Senti falta de um sistema de busca mais abrangente, ou ainda que fizesse uma “conexão” com seus contatos do e-mail, algo assim.
Bem, fica a dica para aqueles que, como eu, amam ler e sempre quiseram um lugar para cadastrar os livros e trocar impressões.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
"Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você...

terça-feira, 7 de setembro de 2010
El mismo amor, la misma lluvia

Depois dos últimos posts sobre filme terem privilegiado o cinema francês, resolvi dar uma volta no cinema argentino, que muito tem me surpreendido também.
Pensando nisso, estava decidida a escrever sobre o filme “O segredo de seus olhos”, dirigido por Juan José Campanella e ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010.
Pesquisando mais sobre o diretor, li sobre outra obra dele, “El mismo amor, La misma lluvia” (de 1999), ou “O mesmo amor, a mesma chuva”, curiosamente protagonizado pelos mesmos atores (Ricardo Darín e Soledad Villamil) que “O segredo de seus olhos”.
Assim como um livro me ganha (à primeira vista) pela capa, um filme me ganha pelo título (ou pelas falas), e esse com certeza foi um dos casos.
Assisti a este filme hoje e, como eu esperava, não me decepcionei. Sabe-se lá o porquê, ele não foi parar nas nossas salas de cinema, foi direto para as locadoras.
Jorge (Ricardo Darín) escreve crônicas românticas para uma revista argentina. O trabalho é medíocre e não lhe permite mostrar ao público seu talento. Assim segue sua vida, em meio à conturbada década de 80 na Argentina.
Em um dia de chuva ele avista uma moça que se encanta com as gotas de chuva caindo sobre seu rosto. A moça é Laura (Soledad Villamil), garçonete, atriz e estudante de artes plásticas. Não só isso, é também a moça com quem ele se reencontra num desses muitos acasos do destino e que será, se assim posso dizer, a mulher que ele ama.
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O romance dos dois resiste à Guerra das Malvinas, ao fim da ditadura e ao início do novo governo, mas não resiste a eles mesmos, ao tempo, ao desgaste da convivência. O rompimento, aqui, não significa o fim do filme, nem o ápice do enredo. Jorge e Laura não morrem de amor, nem abandonam a vontade de viver. Eles simplesmente vivem com suas dores, seus fracassos e desilusões, como a grande maioria de nós faz todos os dias.
Ao longo de quase duas décadas acompanhamos a vida desses personagens, sobretudo a de Jorge, e somos apresentados aos caminhos que escolheram seguir desde que se separaram.
Apesar de tudo, fica um ar de esperança, de amizade, de amor e a convicção de que um novo começo sempre é possível, ainda que demore, ainda que seja difícil.
O filme é precioso porque nos dá a sensação de que Laura e Jorge poderiam facilmente ser quaisquer pessoas, poderiam ser eu ou você. Como assim? A história é o cotidiano, é uma rotina. Não é como os filmes, comédias ou romances, que dão bilheteria: nos agradam e fazem rir, mas deixam aquela conhecida sensação de que na vida os amores são menos belos e menos fantasiosos que no cinema. Nesta obra o amor e a vida são o que são, sem grandes truques, sem grandes vilões, só nós mesmos.
Campanella nos mostra, da melhor forma o possível, que a arte muitas vezes imita a vida, e não há nenhum problema nisso.